A National Radio Company encerrou suas atividades há décadas. O HRO-50 restaurado pela dupla, no entanto, voltou a captar sinais e, com o título concedido pela 2ª Cia Com Mec, ganhou também um lugar formal na memória de uma unidade militar que ajudou a fundar.
Um receptor que atravessou guerras
A família HRO nasceu em 1935 e virou lenda antes mesmo de chegar ao Brasil. O receptor original usava válvulas e um sistema de bobinas plugáveis com sintonia micrométrica um arranjo mecânico tão preciso quanto incomum para a época.
A reputação do aparelho se consolidou na Segunda Guerra Mundial. Estima-se que mais de 10 mil unidades tenham sido enviadas ao Reino Unido, muitas operando nas chamadas Y Stations, postos de escuta que interceptavam as comunicações alemãs depois encaminhadas a Bletchley Park, o centro britânico de quebra de códigos.
A demanda militar foi tão intensa que, segundo relatos da própria fabricante, as Forças Armadas norte-americanas teriam dito à National: “Comecem a construir HROs. Avisaremos quando parar.”
O design tornou-se referência mundial. Antes, durante e depois da guerra, o conceito de bobinas plugáveis e sintonia micrométrica foi copiado em vários países, incluindo Alemanha e Japão.
É esse pedaço de história das telecomunicações que Jorge e Carlos colocaram de volta em operação não numa vitrine de museu, mas como rádio funcional.

Jorge PY2PVT – restaurou o National 50 da 2º Companhia de Comunicação Mecanizada do Exército Brasileiro de Campinas, SP
A cerimônia, o general Deocleciano José de Santana Netto destacou o papel dos radioamadores. O comandante da 2ª Cia Com, capitão Luiz Coutinho, foi além do batalhão: ressaltou a relevância da atividade para a população brasileira como um todo.
A fala do oficial encontra eco em situações concretas. Quando enchentes, deslizamentos ou apagões derrubam redes de celular e internet, são frequentemente os radioamadores que mantêm um canal de comunicação aberto entre áreas isoladas e equipes de socorro. A estrutura é simples e independente de torres de operadoras exatamente o que falta quando a infraestrutura comercial cai.
Esse é o ponto que une o exército e o hobby. Comunicação que não depende de mais ninguém para funcionar.

Rubens (PY2VE), Bruno (PY2JYV), Rafael Pata (PY2PI), além de Macedo e Felipe (Pé de Vento).
Fonte: https://antenaativa.com.br/radioamadores-campinas-restauro-radio-historico/

